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A Música nos Primórdios do Serro Frio

(Sacra e Militar)

Os registros que se conservaram do século XVIII mostram uma forte presença de manifestações musicais destinadas, principalmente, ? s celebrações religiosas. Formavam-se maravilhosos conjuntos musicais ou coros de vozes com acompanhamento de alguns dos instrumentos mais comuns ? época, como harpa, cravo, rabeca, rabecão, trompa, flauta ou clarineta. Através da tradição oral e das pesquisas em documentos históricos, muitos fatos e personagens vão ressurgindo e se tornando devidamente conhecidos, seja na Vila do Príncipe, seja nos diversos arraiais da então Comarca do Serro Frio. 

Três representantes significativos deste período são o cantor José Lobo, o músico Vicente Lúcio Furtado de Mendonça, e o Padre Mestre Teodoro Pereira de Queirós, sempre contratados pelo Senado da Câmara para os ofícios religiosos da Vila do Príncipe. O Padre José de Souza Campos foi nomeado mestre-de-capela (espécie de maestro) no Serro, em 1750. Nestes tempos de riqueza baseada no ouro e no diamante, a cultura erudita, mais dispendiosa, "tinha assim o ambiente propício para assentar sólidas raízes". 

Foi um outro mestre-de-capela da igreja matriz, Padre Manuel da Costa Dantas, o primeiro professor de música e latim do incomparável Maestro José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita. Este compositor mulato, nascido no Serro em 1746 e considerado por muitos o maior nome da música colonial brasileira, teve sua obra comparada ? s dos grandes nomes da música universal, sendo redescoberto por Curt Lange, a partir de suas pesquisas em Diamantina, quando encontrou inúmeros registros de sua passagem por lá. De 1782 a 1789, os Padres serranos Almeida e Silva (Manuel e Antônio) também ficaram célebres, ao construírem o órgão para a Ordem Terceira do Carmo do Arraial do Tijuco (considerado um dos primeiros a ser construído em Minas), instrumento que parece ter sido inaugurado por Lobo de Mesquita e que ainda se encontra na igreja de mesmo nome. O Padre Antônio de Almeida e Silva foi um dos primeiros padres mineiros a ser ordenado. Nasceu em cerca de 1740, ordenou-se no Rio de Janeiro, em 19/03/1765, falecendo no Serro, a 08/11/1813. 

Ainda no séc. XVIII, há vários registros da presença da música entre as forças policiais. O historiador Geraldo Dutra de Morais (História de Conceição do Mato Dentro) conta que as companhias e regimentos do Serro "recebiam a soldo da Fazenda Real, além de armas e munições, excelentes instrumentos de música, constantes de trombetas, timbaleiros, pífanos e tambores". Aí também atuou Lobo de Mesquita, como músico pago do Terço de Homens Pardos, onde alcançou o posto de Alferes.

2- A Modinha e a Seresta 

Mas outras modalidades também chamavam a atenção dos serranos, principalmente as modinhas e os ritmos afro, e os músicos locais já podiam dividir seu tempo entre estas manifestações de caráter mais popular e as celebrações religiosas. O serrano Joaquim de Salles, nos fantásticos relatos do livro "Se não me falha a memória" cita o exemplo do quinteto, já em finais do Séc. XIX, que além de tocar modinhas, também acompanhava a interessante e piedosa solenidade da Extrema Unção: "O Lulu tocava pistom e cantava (o Tantum Ergo); o Virgílio Mamede [pai] encarregava-se do baixo (rabecão) no seu oficlide; o Nafedo tocava sax; o Vicente, clarineta, e o Adão Papudinho, tambor".

No século XIX, "após o jantar, vinha a música dolente das modinhas..." A serenata, tão antiga quanto o amor, incorporou-se ? tradição mineira, com suas fantásticas aparições nas noites de luar, os seresteiros entoando as vozes ao som dos violões, violas, cavaquinhos, flautas, acordeons e sanfonas, determinando o compasso da música e atraindo a atenção dos que dormiam ou madrugavam. Originada do latim “serus” (anoitecer) e “nata“ (nascida), a serenata tornou-se, durante a Idade Média, mensagem dos menestréis, cantando ? s janelas de suas amadas, assim como dos seresteiros do Brasil afora, particularmente nas cidades históricas de Minas.

O mesmo Joaquim de Salles faz outro interessante relato sobre as modinhas do final do século XIX : "Depois do jantar passavam-se todos para a sala onde, ao som da Dalila, se recitavam versos líricos ou poesias mágicas, e ao do violão, cantores e cantoras deliciavam a assistência com as modas mais em voga. Muitas moças, acompanhadas pelas mamãs ou pelas tias, em noite de luar, saiam a bater castelo, isto é, a cantar modinhas ao ar livre nas portas das famílias conhecidas. Normalmente iluminavam-se as salas, a dona da casa mandava abrir a porta da rua e os seresteiros entravam. O pessoal saltava das camas, inclusive as crianças, e improvisava-se ali uma reunião tanto mais simpática quanto inesperada. Depois iam todos para a sala de jantar... As modinhas agradavam-me e eram acompanhadas ao violão, ao cavaquinho, ? flauta, ? sanfona e mesmo ? rabeca, se por acaso comparecia o Gervasinho... O vigário José Maria dos Reis lá estava também; e, como músico notável que era, ajudava a orquestra tocando oficlide". O Padre José Maria nasceu no Serro, cerca de 1859, ordenou-se em Diamantina, em 22/09/1883, falecendo como vigário de Santa Maria do Suaçuí, em abril de 1919. 

Aluízio R. de Miranda, escritor e seresteiro serrano, em depoimento escrito, falava das serestas entoadas, no início do século XX, por "José Gonçalves, Zeca Toquinho (violão), José de Neném, José de Tereza, Dimas, Tito, Hermano de Gabi, Leleto, Júlio Pessoa, Inhô Quim e outros, cujos nomes não me lembro no momento".

José de Tereza, lembrado por Da. Maria Eremita, foi um seresteiro dono de voz harmoniosa e serena, que lhe valeu o apelido de "Rouxinol das Madrugadas". Sabe-se que nasceu em 1895, era pedreiro, negro, sem estudo, pessoa educada e de fácil amizade, mas a bebida não deixou que vivesse mais que 35 anos. 

Geraldo Freire também deixou, pelos "Caminhos da Memória", as recordações sobre os músicos e seresteiros do seu tempo de rapaz (1920/40) : "o mestre José Martins, José Maria de Oliveira - Zé de Vicente - seu irmão Geraldino, Mário Xavier - Mário de Chico Cabo, como o chamávamos - Aristeu José da Silva, José Lotário, José Reis Barbosa, Tristonho, Otávio Costa, Zumbi, e o jovem menino - prodígio da música - Genaro Cruz, grande vocação, com rara facilidade para executar qualquer instrumento", imortalizado pelas serestas, sempre ao acordeon, em companhia do Presidente JK.

3- A Seresta Continua 

Toda a história da seresta no Serro, que é quase passado e enche de poesia as montanhas do Espinhaço, parece não morrer jamais, pois permanece viva através das gerações, nos corações, casas, ruas e becos da velha Ivituruí. Cada período da história do Serro tem aqueles grupos e pessoas que "puxam" a seresta, acrescentando novas canções, acolhendo novos ritmos, mas mantendo sempre algumas pérolas clássicas do repertório tradicional. Destas levas de "curiangos", os serranos não se esquecem de "Tumerê", Gilberto Santos, Rogério de Zulu, Zé Cocó, do saudoso Robson Reis Simões e tantos outros.

A seresta despediu-se recentemente dos irmãos Diminhas e Jaci Lopes, de Deco Dumont, de Vaninha Tolentino e de Pires Vicente Pires. Mas continua, pelas mãos de Zulu (José Augusto Clementino), Gentil Araújo Costa e José Antônio Moreira Pires, que junto com Vicente Pires, formaram um quarteto inseparável das madrugadas, cujos encontros podiam acontecer em qualquer parte, mas tiveram sede sempre na tradicional casa onde residiu o Vicente e suas irmãs (Pixinha, ...), ? Praça Dom Epaminondas, n.º 34, bem no centro da cidade. A seresta continua também com outros filhos de Honorina (além do Gentil): Chiquinho, Geralda, Maria das Dores, Dodô e Zica (violino); assim como pela família de Raul Clementino (além de Zulu) : Totó, Marcos, Raulzinho, Marcelo, Célio, Da. Lucinha, Dolinha, Candinha. Alguns grupos se organizam periodicamente, sempre com a presença e o apoio de Da. Laura Moreira, Zé Nonato, Da. Lucinha Clementino, Rita Ferreira da Silva, Dorinha Simões, Izabel e Mariazinha Almeida. Wilma Oliveira e Cecília Nunes, professoras de música e de canto, vêm ajudando, organizando e coordenando sucessivos grupos, nos diversos estilos musicais (religioso, canto coral, seresta e folclórico). 

Por volta de 1988, foi criado o Grupo de Serestas "Rouxinol" (nome sugerido por Da. Maria Eremita, em homenagem ao seresteiro José de Tereza), integrado por um grande e talentoso elenco : Da. Laura Moreira, Emília Cruz, Elgita Ferreira Reis, Terezinha, Dorinha Simões, Maria José, Maria do Carmo, Rita Ferreira da Silva, Sebastião e os instrumentistas Gentil, Marino, Zulu, Zé Lino, Celso (violão), João Firmino, Raimundo e Deco (cavaquinho).

Ao som de "Meiga Virgem", "Amo-te Muito", "Boa Noite", "Elvira, Escuta", "Fascinação", "Chuá, Chuá", "É a ti Flor do Céu", "Velho Realejo", "Casa Branca da Serra", quantas noites e amores não foram embalados entre as serras do antigo e do novo Ivituruí? Músicas de Castro Alves, Catulo da Paixão Cearense, Aureliano Lessa, Pixinguinha, Noel Rosa, Herivelton Martins, Mariana Higina, França Júnior, João Chaves, Sílvio Caldas, João de Barro, Orestes Barbosa, Ataulfo Alves, Vicente Celestino, Custódio Mesquita, Lamartine Babo, Orlando Silva, Ari Barroso, Nélson Gonçalves, Vinícius de Morais, Padre Celso de Carvalho, Mozart Bicalho, Mílton Nascimento, Caetano Veloso, Fagner, Peron Rarez e Ivaldo Luíz, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, compositores de tantas épocas, origens e tendências, se reunindo frequentemente, através das vozes nos becos do Serro e (re)vivendo a emoção das noites e luares das serras e sertões mineiros. "Não há, oh gente, oh não, luar como este ..." 

4- As Bandas de Música 

Poucas manifestações representam tão bem o espírito de Minas quanto as bandas de música. Não é ? -toa que o estado possui um terço das bandas do país, tendo reunido em 1997, numa noite inesquecível, 100 delas em Belo Horizonte, para comemorar o centenário da capital mineira. No Serro não é diferente. Em 17/04/1999, 16 bandas da região protagonizaram uma das mais belas manifestações culturais, na Praça João Pinheiro, diante de um público boquiaberto, no Encontro Regional de Bandas, que comemorou 100 anos da gloriosa "Euterpe Santíssimo Sacramento" do Serro. Os antigos coretos da Cavalhada e da Santa Rita não mais existem, deixaram saudades, mas as bandas nunca pararam de encantar, em retretas, festas, carnavais, procissões ou serestas. 

No início do século XX, a maior atração do Patronato Agrícola era a sua jovem banda, sempre alegrando as tardes de domingo, no largo da Cavalhada. Em 1917, fundiram-se a banda da Liga Operária, regida pelo mestre Virgílio Mamede Alves Pereira (filho) e a do Patronato, regida por Fernando Víctor, criando-se a "Euterpe Santíssimo Sacramento", sob a direção de José Martins de Almeida e Silva, que a comandou até 1940. A seguir, assumiu o maestro José Maria de Oliveira, o Zé de Vicente (1940/49), seguido de Aristeu José da Silva (1949/65), José Silvério de Araújo, o Zé do Cabo (1965), do Tenente Raimundo Nonato, que a regeu em torno de 10 anos e por Advaldo Assunção Cardoso, ex-músico da banda do Batalhão da Polícia Militar de Diamantina. 

5- Outros Personagens da Música

João Nepomuceno Kubitschek (1845/1899) foi outro notável poeta e músico serrano. Além de sua brilhante carreira política, o tio-avô de Juscelino foi autor do Hino do Serro e de inúmeras outras canções e poesias, entre elas a famosa "Hermengarda". São também da mesma época os músicos João Batata e Carlos da Cunha Pereira (1854/1891), este último autodidata, dono de uma bela voz, proprietário da Fazenda do Retiro (Tanque do Pereira), mas também professor particular de "Humanidades", de piano e de canto.

Nascido no Serro, em 1875, o Maestro Miguel Cardoso completou os estudos musicais em Milão. No RJ, foi professor de música na Escola Normal, no Instituto Benjamim Constant e no Instituto de Música. Deixou vários trabalhos de valor, como a ópera "Ramo de Ouro" e uma "Gramática Musical", das mais conhecidas e conceituadas de sua época. 

Malaquias Aguiar Dumont (Lilico), outro poeta de inestimável cultura, compôs a letra de "Saudades do Serro", com música de Mozart Bicalho, bela e romântica canção apresentada ? cidade em 1949. Ganhou tamanha popularidade que tomou o título e o lugar do "Hino do Serro", cantado como tal nas casas, serestas, e solenidades. Lilico Aguiar compôs também o "Hino do Estudante Serrano" e dezenas de outros poemas e canções.

Durante muitos anos, Da. Rita Rabelo (Rita da Chácara) foi a professora de música de todos os serranos, sempre ao seu piano, na casa da Ladeira do Pelourinho, logo abaixo da igreja matriz, ou nos harmônios das igrejas, pacientemente passando as lições da pauta ou ensinando música sacra.

Nas décadas de 1960 a 1990, além da Banda de Música, as fanfarras do Colégio e do Ginásio e as baterias dos blocos de carnaval (Rela, Vai-quem-quer, Tô Doidão) tornaram-se também centros de formação do ritmo e do espírito musical, sempre sob a batuta de maestros profissionais ou amadores. Destacaram-se nesta tarefa o Tenente Nonato, maestro aposentado da Banda da Polícia Militar de Diamantina, que, por vários anos, com tenacidade, comandou a fanfarra do Ginásio e a Banda de Música, e Ildeu Fidélis, que participou de diversos conjuntos de música popular e depois comandou a bateria do Rela por vários anos, além dos irmãos bateristas Adão, Pedro e Isaías Rabelo.

Neste mesmo período, um afinado e inseparável quarteto andou animando as noites do Serro, composto por Deco Dumont, João Evangelista Firmiano (artesão da música e da madeira, habilidoso fabricante de instrumentos) e mais dois companheiros. 

Magna Glória Costa se destaca como uma das principais cantoras da cidade. Possui uma musicalidade inata e é dona de uma extraordinária voz. Pertence ao corpo de voz do Grupo Marte de teatro. Já apresentou-se em Rio Vermelho, Curvelo e BH, sem mencionar as inúmeras vezes no Serro. É a melhor intérprete da "Ave Maria" de Gounot, na região, e já interpretou por várias vezes as canções da "Verônica", durante as celebrações da Semana Santa, nas igrejas, ruas e praças da cidade. 

6- A Música Sertaneja 

A música caipira (ou sertaneja) sempre foi a mais apreciada pelos moradores do Serro, acostumados ? s lidas com a terra. O que nunca faltou foi cantor, violeiro e sanfoneiro, para puxar a cantoria ou para animar os bailes e forrós, na cidade ou principalmente nas roças. A chegada dos aparelhos eletrônicos, trazendo os artistas e gravações de fora, não deixou de desanimar um pouco a iniciativa local em todas as áreas da música, mas nunca ao ponto de fazê-la desaparecer. 

Geraldo Pacheco, compositor e cantor, foi durante longos anos um dos grande nomes desta vertente musical. Tocador de viola de 10 cordas (viola caipira) e auto-didata, Geraldo era carpinteiro caprichoso, que encontrava tempo para esculpir a música, ao mesmo tempo que ajudava a sustentar os antigos prédios coloniais e os majestosos templos da cidade. Formou sua vocação musical ao lado dos velhos cantadores e foliões locais, atento aos acordes caipiras dos repentes, das festas religiosas e das serestas. Não descuidou também das ondas do rádio e das radiolas, por onde conheceu as velhas e novas duplas caipiras, tratando desde cedo de formar a sua. Não conseguiu, porém, manter uma dupla duradoura, tendo que mudar constantemente de parceiros (entre eles Luiz Almeida e Vicente Barbosa) e de cantar sozinho em outras ocasiões. Tocou durante vários anos na "Marujada", um dos mais sonoros grupos de congado do Serro, e nas folias do Divino (juntamente com o tio-avô Gervazinho). Era constantemente convidado e tinha presença importante nas festas realizadas nas roças do município. 

Geraldo fez perto de 40 composições musicadas e foi premiado seis vezes em Festivais, ganhando o 3.º lugar no FESTIVALE do Serro, em 1987, e o 1.º lugar na categoria sertanejo, no FESTUR - Festival da Canção de Turmalina, em 5 anos diferentes - 1987, 1988 (com "Porta da Solidão"), 1989 (com "Na Boca da Mina"), 1990 e 1991.

O Grupo de Sanfoneiros do Serro, a dupla Darci e Juarez (depois Grupo CDJ) e o Grupo Pedra Azul e Cristalino ajudaram também a compor o ritmo, que sempre integrou o Serro a esta velha onda nacional. 

7- As Novas Tendências 

Na década de 1970, o Serro entrou no ritmo dos festivais da canção, influenciado pelos inesquecíveis festivais da TV Record, que lançaram para o Brasil a imagem de Mílton Nascimento, Caetano Veloso, Elis Regina, Nara Leão, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque e cia. A partir daí, o país inteiro cantou um canto novo e o Serro também se deixou levar. O auditório do Colégio N. Sra. da Conceição se encheu vários anos seguidos, para acompanhar as disputas entre os cantores e compositores, serranos ou da região (Lalado Magalhães, Ildeu Fidélis, Lucinha de Duzita). Vários conjuntos surgiram nesta época, animando as noites do Clube Ivituruí. 

Modernamente, novas gerações se sucedem com produções musicais de variadas tendências. Nas décadas de 1970/80 era rara a casa de um jovem que não tivesse violão. Foi a época das baladas e da música regional do Jequitinhonha, movimento de destaque em toda a região, com repercussão junto ? juventude do Serro. Eudes de Oliveira e Carlinhos Dumont, que durante muitos anos atuaram em dupla, são representantes desta fase, juntamente com Geraldo Pacheco e seu estilo sertanejo. 

SAUDADES DO SERRO

(Hino do Serro)

Letra: Malaquias Aguiar Dumont

Música: Mozart Bicalho

No alto azul do Espinhaço,

Cheio de ouro e cristais,

Qual águia fitando o espaço,

Serro de Minas Gerais.

Das guerras no alvoroço,

De espada ? cinta e fuzil,

De lenço branco ao pescoço,

Lutando pelo Brasil.

Terra de mil poesias,

De alegrias e dores,

De lendas, melancolias,

De faustos e de amores.

Noites amenas e belas,

Céu feérico de luar,

Onde um rosário de estrelas,

Convida a alma a rezar.

Campos mais verdes que o mar,

Águas claras, céu de anil,

Ouro amarelo a lembrar,

Cores do nosso Brasil.

- Fonte: GUIA DO SERRO 

- Música: "Ladainha em Lá menor, III. Regina Angelorum" de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita

A MÑSICA NO SERRO: Clássica, Seresta, Popular e Folclórica

MAESTRO LOBO DE MESQUITA (Serro, 1746 - RJ, 1805)

A opulência do Barroco não se limitou apenas ? s artes plásticas e ? literatura, estendendo-se também a uma rica produção musical, a mais importante do período colonial brasileiro. 

E Minas foi um dos estados brasileiros onde mais surgiram mestres e talentos musicais, neste período. Tendo vivido em meio a vários destes mestres - muitos dos quais ainda não apresentados ao grande público - José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita é hoje reconhecido por muitos como o maior compositor sacro deste período. Mulato, nascido na Vila do Príncipe do Serro Frio, em 12/out/1746, e batizado na Igreja de N. S. da Purificação, era filho do português Joseph Lobo de Mesquita e da escrava Joaquina Emerenciana, liberta no batismo. 

Os estudiosos são unânimes em considerá-lo "acima da média" e alguns o comparam a Mozart, com uma obra ? altura dos maiores compositores universais, mesmo vivendo longe dos grandes centros culturais do mundo e tendo que aprimorar quase sozinho os seus conhecimentos. 

Iniciou seus estudos de música e de latim com o Padre Manuel da Costa Dantas, mestre-de-capela da igreja Matriz da Vila do Príncipe (espécie de maestro). Foi músico da tropa paga da capitania (terço da Cavalaria dos Homens Pardos), com a patente de Alferes, organista admirável de Irmandades Religiosas e professor particular de música. 

Parece ter-se mudado para o arraial do Tijuco por volta dos seus 30 anos. Foram encontradas partituras e registros de sua atuação no Tijuco ( 1778-1798 ), nas igrejas Matriz de Santo Antônio, do Carmo e das Mercês. 

Em Vila Rica (1798-1800), para onde se mudou posteriormente, contratado como regente, atuou pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, na Matriz de N. S. do Pilar, e pela Ordem Terceira do Carmo. 

Mas, um talento daquele quilate não poderia viver muito tempo distante da capital da colônia. Em 1801, Lobo de Mesquita já era organista da Ordem Terceira do Carmo, no Rio de Janeiro, onde continuou sua rica produção. Morreu poucos anos depois, em 30/04/1805. Entre diversos discípulos, deixou a organista cega Ana Maria dos Santos Mártires. 

O pesquisador Francisco Curt Lange, descobridor dos documentos que reapresentaram o músico ao mundo moderno, calcula que ele deve ter escrito acima de 500 obras. Estão salvas cerca de 60 obras de sua autoria, entre as quais "Padre Nosso", "Ave Maria", "Missa Grande em Mi Bemol", "Regina Coeli Laetare" (1779), "Gloria Patri", "Difusa est Gratia", "Dominica in Palmis" (1782), "Gradual para o Domingo da Ressurreição", "Missa Grande" (mi bemol) e uma extraordinária "Antíphona de Nossa Senhora" (1787) que, segundo especialistas, o eleva ? categoria de gênio. 

Para Curt Lange, "sua escrita é clara, cuidada, vigorosa, sem recorrer a inúteis complexidades harmônicas ou rítmicas. As vozes do coro e da orquestra dialogam alternadamente; os instrumentos trabalham sempre aos pares, geralmente em terças paralelas, sendo raros os momentos em que um dos elementos do par sobressaia como solista. Por outro lado, a voz solista frequentemente dialoga com o coro e com os instrumentos a fim de contrapor maior ou menor massa sonora". 

Várias de suas partituras foram restauradas pela FUNARTE, pelo Museu da Música de Mariana/MG e outras instituições musicais. Muitas gravações têm se realizado, para popularizar e perpetuar os frutos do seu talento. Atualmente, além de estar incluída nos repertórios de importantes festivais e grupos musicais do Brasil (corais e orquestras), sua obra tem sido executada em diversos países, recebendo, a cada dia, maior reconhecimento.

- Foto: O Coral BDMG executa músicas de Lobo de Mesquita na Igreja do Carmo, no Serro, cidade onde o Maestro aprendeu os primeiros acordes musicais, deu os passos decisivos de sua carreira e viveu por volta de 30 anos.

- Música: "Ladainha em Si bemol maior, I. Kyrie", de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita

Fonte: "GUIA DO SERRO"
VER REPORTAGEM:
"ACERVO DE LOBO DE MESQUITA É PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE" 

Nossa cidade em músicas: 

. Lucas e Vitor - Falando Sério 
. Abismo - Rogério e Alan
. Escombros - Rogério e Alan
. Jequitivale - Verono
. Desvarios - Rogério e Alan

ESTUDOS CULTURAIS SOBRE A REGIÃO DO SERRO

• Fragmentos da Cultura entre o Serro e Diamantina através de Produções Áudio-Visuais - Imagem, Narrativa e Memória na Estrada Real.pdf
• Imagem e Memória na Estrada Real - Documentando a Cultura entre o Serro e Diamantina.pdf
• Entrevista com "Seu" Crispim, morador do Ausente e "Encantador de Almas"

Veja detalhes da nossa cultura, culinária? e tradições em: serromg.blogspot.com.br/ e www.museudastradicoes.com.br

 

 

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